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Aquachara apresenta

Oficina 6
Custom Surfboards & Design

Entre fotos e takes, um bate papo leve e conceitual com Beto Kahvegian, mente e mãos responsáveis pela Oficina 6sobre a arte shapear, que constrói e molda ininterruptamente a eterna busca pela onda e prancha perfeita.

Fotografia e entrevista por Felipe Silva "Aquachara"

"Toda prancha começa dentro na nossa cabeça. A partir dai, é criar no papel para entender o estilo que quer chegar ..."

Beto Kahvegian

- Quando o Beto começou a ter interesse pela arte de shapear? Como foi seu caminho no mundo das pranchas até a Oficina 6?

 

Eu sempre fui uma pessoa que gostou de construir as próprias coisas, de customizar, desde os carrinhos de criança, até os móveis de casa. Você só entende realmente aquilo que você está consumindo ou comprando, se você já viu ou participou do processo de produção, então quando comecei a surfar, o caminho para aprender a shapear foi muito natural. A curiosidade me levou para dentro de uma sala de shape, e não me tirou mais!

- Como surgiu a oficina 6?

 

A oficina 6 surgiu de uma falta de diversidade nas pranchas que eu encontrava nas surfshops. No momento eu estava buscando uma experiência diferente na água, um surf mais conectado com o mar, e só encontrava os mesmos tipos de pranchas, muito diferente do que eu via acontecendo fora do Brasil. Nisso eu comecei a shapear minhas próprias pranchas, pegar algumas ideias que tinha na cabeça e ver se aquilo funcionava, por a prova na água. Uma coisa levou a outra, um amigo gostou de design e quis experimentar, depois outro, o shape foi melhorando, novas ideias foram surgindo, se desenvolvendo, até o ponto que vi que mais pessoas estavam se interessando pelos meus modelos, e que tinha chegado em um estilo legal de pranchas.

 

- A Oficina 6 funciona em um conglomerado de shapers, como um shaper influciencia e puxa o nível do outro?

 

Poder shapear em um espaço que conta com mais shapers é uma experiência muito rica. Cada pessoa tem o seu processo criativo, tem o seu estilo, as suas referências, estilo dentro da agua, e isso tudo é transmitido na hora de shapear, então poder ver outros shapeando acaba se tornando um eterno aprendizado, com um puxando o outro.

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" Eu sempre fui uma pessoa que gostou de construir as próprias coisas, de customizar, desde os carrinhos de criança, até os móveis de casa. "

Beto Kahvegian

- Como é o processo de criação de uma prancha? Quais são as etapas?

 

Toda prancha começa dentro na nossa cabeça. A partir dai, é criar no papel para entender o estilo que quer chegar, ir testando os outlines, as curvaturas, os tipos de rabeta até ficar satisfeito com o resultado. Depois é passar isso para o Shape, concretizar essas curvas, e por final o trabalho de laminação, que vai fazer aquele bloco virar uma prancha de surf.

 

- O que você considera como o diferencial da Oficina 6?

 

Acho que o nosso diferencial é tratar cada prancha como única, ter uma relação muito próximo com os nossos clientes e amigos. Sempre desenvolvemos as pranchas junto com os nossos clientes, entendendo exatamente o porque e para que ele quer aquela prancha, aonde ele pensa em usar, qual tipo de onda, seu nível, o que inspira ele dentro da água, para ter certeza que o resultado final vai ficar exatamente como ele imaginou. Nossa ideia é fazer muito mais do que pranchas, é criar experiências e memórias dentro da água.

- Como a tecnologia ajuda no processo de desenvolvimento de um projeto de prancha?

 

Vejo que a tecnologia ajudou muito o processo de desenvolvimento das pranchas. Hoje, com a tecnologia, é possível diversificar ainda mais os outlines das pranchas, testar novos modelos, e ter um feedback mais rápido sobre o que está funcionando ou não. Uma prancha, mesmo que seja usinada, sempre vai precisar da mão do shaper para ajustar os detalhes, então acho que a energia colocada em prancha não se perdeu com a chegada da tecnologia.  E não digo nem em questão de produção apenas, mas do surf como um todo. Antigamente, o shaper tinha que criar e testar algo para saber se funcionava ou não, hoje a gente tem acesso a muitas informações do mundo todo, então temos feedbacks de diversos modelos de shapes muito rápido, com muitos vídeos de como aquilo se comporta na água, o que acaba ajudando ainda mais a evolução dos shapes.

- Quais são os maiores desafios atuais no fabricar das prancha?

 

Acho que o maior desafio ainda é o processo e o entendimento das pessoas como um todo. Muitas pessoas não sabem o quanto demanda de tempo e esforço para a fabricação de uma prancha, desde a sua concepção no papel, até ela pronta. Muitas pessoas são envolvidas no processo, desde o shaper até o laminador. Algumas pessoas não entendem que uma prancha não é igual a um produto normal, que se produz em poucas horas e em larga escala, mas sim um produto que demanda muita atenção, cuidado nos detalhes, e tempo.

 

- Como é a sensação ao ver uma prancha pronta e entregar ao cliente após todo o processo?

 

É um dos sentimentos mais legais que tem, porque muitas vezes você está concretizando o sonho de alguém. Quem surfa sabe que cada prancha é como um filho, e que uma onda pode ser eternizada na sua cabeça, então proporcionar essa experiência para alguém é demais! Mas melhor ainda é receber o feedback depois da primeira queda, isso não tem preço.